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A Realidade da Juventude: O que vamos fazer?


No Brasil a juventude tem ganhado espaço nas discussões e nos debates públicos, principalmente nos últimos 15 anos. Uma das razões para este crescimento é que, segundo o IBGE, um quarto da população do país tem entre 15 e 29 anos. No Distrito Federal não é diferente, a capital federal conta hoje com cerca de 450 mil jovens entre 15 e 29 anos. Este crescimento, que podemos chamar de onda jovem, tem causado preocupações, pois o Estado não se preparou para receber as demandas que são necessárias para suprir as necessidades básicas da juventude.

Segundo o IBGE quase metade dos desempregados no país estão na faixa etária considerada jovem e, em média, os trabalhadores jovens ganham menos da metade do que ganham os adultos. Para aqueles que trabalham, 63% não têm carteira assinada. Outra constatação é que a taxa de homicídios ente os jovens é duas vezes e meia maior do que em os outros segmentos etários. Enquanto o número de assassinatos se manteve estável no restante da população, entre a juventude cresceu 81,6% nos últimos 22 anos, conforme afirmação da UNESCO.

Sobre a questão social, 11,7 milhões de jovens vivem em famílias que não têm sequer condições para satisfazer suas necessidades básicas e 1,3 milhão de jovens são considerados analfabetos. Outro dado alarmante é que 4,5 milhões de jovens vivem no ócio, ou seja, não trabalham nem estudam.

No quesito educação, os estudantes não conseguem se reconhecer no conteúdo e no ambiente da escola, mas mesmo assim, 70% dos jovens acham a escola muito importante para o futuro profissional. Somente 3,6% dos jovens entre 20 a 24 anos chegam a universidade.

Na questão de saúde, quando falamos de juventude, os principais assuntos abordados são combate às drogas, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, violência e acidentes de trânsito. Segundo o Ministério da Saúde, 70% dos óbitos entre jovens se devem a causas externas evitáveis.

No âmbito federal estamos vendo um avanço nas discussões para a conquista dos direitos da juventude. A PEC da Juventude e o Estatuto da Juventude, entre outros programas desenvolvidos com o apoio do Conselho Nacional de Juventude são exemplos deste avanço.

Já no Distrito Federal a realidade não é essa. A juventude continua desassistida em todos os quesitos; um exemplo disso é o sistema de ressocialização de jovens no Distrito Federal, que há anos não tem investimentos, e segundo o Ministério Público os jovens internados no CAJE ficam 23 horas no “alojamento” sem qualquer atividade: “O centro de internação é uma prisão, porque a grande maioria não tem cursos de profissionalização, acesso ao esporte, ao lazer e até à educação”, destaca o promotor Renato Varalda.

Segundo a Constituição Federal é de responsabilidade dos Estados ter programas para tratar dependentes químicos e no DF sequer temos um centro de referência para tirar os jovens das drogas. Enquanto isso, os índices de criminalidade, desemprego e evasão escolar crescem absurdamente. 

Até quando vamos ficar parados, atônitos e inertes vendo isso acontecer?
Chegou a hora da mudança! Não podemos aceitar que os nossos jovens, que são a força da nossa cidade, sejam tratados com desprezo ou como última prioridade. A solução para isso a própria juventude já buscou, agora cabe ao poder público colocá-la em prática.

Precisamos entender que a MUDANÇA está em nossas mãos e se estivermos JUNTOS SOMOS MAIS FORTES.
 
* Rodrigo Delmasso, foi Secretário de Estado de Trabalho do DF e é candidato a Deputado Distrital pelo Partido Trabalhista Nacional

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