segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Debates: 'Educar para respeitar sim; legislar para impor não'



Robson Rodovalho (Divulgação)
 
   Tema polêmico, a discussão relacionada ao casamento gay, a meu ver, só pode se dar diante de dois pressupostos. O primeiro: liberdade, que em seu sentido pleno engloba quaisquer possibilidades de escolha, exercício de livre arbítrio. Trata-se de direito fundamental do homem inscrito já na Bíblia, que a prevê como parte intrínseca da vida de todos os homens. Muito antes das leis seculares, portanto, as leis de Deus acolheram sociedades no espírito da consciência livre.


   Segundo pressuposto: firmar entendimento sobre um tema não significa fomentar intolerância nem receber opositores com violência. Ao contrário, apesar dos conflitos que eclodem mundo afora, é visível, em retrospectiva histórica, que a humanidade caminha para tolerância – senão por outros motivos, pelas imposições do mundo digital e economicamente globalizado. Portanto, nada autoriza práticas violentas sustentadas em homofobia ou outros tipos de discriminação.

    Fixadas as premissas, o propósito aqui é defender um ponto de vista acerca do chamado casamento gay, tema que pode ser discutido sob os aspectos biológico, sociológico, psicológico e religioso, adiantando que para nenhum deles haverá posições unânimes ou acima de contestações sob os mais variados argumentos.

   Dentro do primeiro grande bloco, imperam no mundo secular as leis dos homens, que em tese incorporam, de uma maneira geral, valores morais, éticos, filosóficos e religiosos da população. Isso porque é a sociedade que escolhe os mandatários responsáveis por conceber e aprovar o conjunto de normas que regem a sociedade. Legitimamente, portanto, esses parlamentares representam a população e suas aspirações em um regime democrático.

   Firmadas as leis, a nós não é dado o direito de impor a esse ou àquele segmento nosso entendimento sobre temas quando esse ponto de vista for contrário às regras estabelecidas. Mas nada nos pode tirar o direito, também ele inerente à liberdade, de expressar e defender, no campo filosófico e religioso, aquilo em que acreditamos – dentro das variações das diversas “morais” que convivem no mosaico de culturas, crenças e valores articulados em nossa sociedade e no mundo.

   Na vertente biológica, é necessário lembrar que também estamos sob o domínio imperativo de várias leis. Temos por exemplo as Leis Físicas (da natureza ), como a gravidade, as do eletromagnetismo, as da energia nuclear. Nenhuma delas passa por nossa aprovação. Simplesmente elas nos regem.

   Sob a perspectiva das leis da natureza, o homossexualismo não é acolhido como natural, porque não obedece ao curso natural da procriação, esse sim, estabelecido pela natureza e vigente para todas as demais espécies.


  Explica-se. Os órgãos físicos, pressupostos para o amor, deveriam em princípio ser os mesmos envolvidos na procriação. Em nossa concepção biológica, portanto, a natureza mais uma vez aplicou o princípio da economicidade. No mundo natural, os pares iguais tendem a se repelir, nunca a se atrair. Daí o conceito de antinatural, ou seja, aquilo que vai contra o a natureza.

   Portanto, não obstante a polêmica atual, a ciência ainda não provou que o homossexualismo é genético, salvo casos de patologias em que há duplicidade de órgãos genitais, nos quais o paciente optou por um deles.
 
  Na psicologia, é fundamental avaliar, nas situações em que a criança expressa tendência ao homossexualismo, o quanto há de intenção, de voluntariedade em seus atos. Ou, ao contrário, o quanto há de automaticidade, naturalidade. Cientificamente está comprovado que as atitudes e gestos das crianças, para além de atos volitivos, expressam repetições.

  Junte-se a isso o fato – decisivo – de que em percentuais significativos crianças que demonstram comportamentos com traços de homossexualidade foram na infância vítimas de abandono, variados tipos de abuso, enfim, sofreram carências afetivas e violências físicas e morais.

  Quando analisamos do ponto de vista psicológico, vemos que pessoas que optaram pela homossexualidade passam pelo conflito psicológico de ter que ajustar suas mentes ao nosso padrão de comportamento. Ê necessário convencer a si próprio de que a "natureza errou" em seu caso, e que o fato de sermos inteligentes nos faculta o direito de alterá- la diante do nosso poder de escolha. Não se trata, porém, de um processo simples.

   Agora, enfim, o campo do entendimento religioso, e aqui falo sob a perspectiva do cristão evangélico, na qual se insere a da Sara Nossa Terra, Igreja que hoje conta com mais de um milhão de membros no Brasil e no mundo e tem entre os jovens o segmento que mais cresce. O espírito da Bíblia Sagrada segue a natureza. De lá veio o homem e dele foi criada a mulher, à sua imagem e semelhança. Da união dos dois, tem-se o propósito de crescer e se multiplicar.

   Também está na Bíblia Sagrada que as atrações sexuais devem se fixar no plano da espiritualidade. Ali devem ser vividas – ainda que sob um fascínio psíquico da homossexualidade. O esforço do Evangelho de Jesus Cristo é nos mostrar que não existe felicidade sob a égide destes impulsos, não importa em que aspecto. A vida de felicidade está posta em um plano de existência espiritual e não material.

   De que valeria, portanto, consagrar o casamento gay em lei secular? Assegurar direitos? Outras vias já estão pavimentadas para tais garantias. Assegurar igualdade? Esse entendimento pressupõe todos os demais no mundo cristão. Falta à nossa sociedade, muito mais do que leis, a educação para o respeito. E essa nenhuma lei vai garantir.


*Robson Rodovalho é físico e teólogo. Fundador e bispo da Igreja Sara Nossa Terra, tem se dedicado à pesquisa sobre os pontos de convergência entre a ciência e a fé. É autor de 'Ciência e Fé – Um Reencontro pela Física Quântica' (LeYa).

FONTE: YAHOO

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