quinta-feira, 13 de junho de 2013

Número de crianças e jovens de 5 a 17 anos ocupados no DF caiu

Aos gritos, as três crianças, entre 9 e 10 anos, anunciam a mexerica por R$ 1. Elas tentam estudar e fazer as tarefas de casa no chão, com apoio de caixotes de madeira. Às vezes, se desconcentram. É que atendem clientes enquanto oferecem o produto a quem passa ali. 

O pagamento por tanto trabalho? Meros R$ 2 por dia. A mãe das meninas e tia do menino, Katiane Araújo, 35 anos, explica. “Queria que o governo me sustentasse, isto ajuda na formação deles”, diz a balconista.  Ela deixa o trio sozinho na calçada enquanto trabalha em outro ponto e garante que eles não trabalham diariamente e que o flagrante do Jornal de Brasília ocorreu porque eles queriam ajudar uma colega em situação difícil.

Preocupação

O trabalho infantil no DF preocupa. Estudo da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) demonstra que, em dez anos, houve redução da situação em 58,4%. No Brasil, a proporção de crianças e jovens trabalhando, de 10 a 14 anos, caiu de 7,22% para 5,98%. No DF, houve queda de 1,37% para 0,57%.

O percentual de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos ocupados no DF teve queda, a partir de 2007, de menos de um ponto percentual. “O estudo mostra a importância da educação e do Bolsa Família na redução do trabalho infantil”, explica a secretária adjunta de Educação, Maria Luíza Fonseca. 

O adolescente F.O., por exemplo, 14 anos, trabalha de segunda a sexta-feira vendendo flores para ganhar R$ 50 no fim do mês. Ele estuda de manhã, mas já aprendeu contribuir com a renda familiar. 

Na família, o padrasto Ronaldo Freitas, 23 anos, acrescenta que outros dois enteados menores de idade também trabalham para complementar a renda. “Sou artesão e a família toda está envolvida nisto. Acho importante eles aprenderem a ter uma profissão desde cedo”, acredita o rapaz.


No DF, 90% só estudam


No Distrito Federal, em 2011, havia mil crianças de 10 a 14 anos ocupadas, e 17 mil adolescentes de 15 a 17 anos ocupados. Comparando a situação de ocupação das crianças e adolescentes do DF e da Região Metropolitana de Brasília, verifica-se diferença favorável ao DF, onde 87,2% das pessoas na faixa etária analisada só estudam. Contra 83,2% na Região Metropolitana.

Quando analisadas as diferenças por sexo no DF, a maioria das meninas de 10 a 17 anos só estuda – 88,2%. Esse percentual é maior do que o de meninos. Isso se inverte quando observados os números de meninos e meninas que só trabalham ou que estudam e trabalham. É maior o percentual de meninas que nem estudam nem trabalham: 4,6%. O percentual de
meninos em situação de trabalho foi maior que o de meninas e variou de 54,2% em 2001 para 61,1% em 2011.
No DF, há relação entre a escolaridade do responsável pela casa e o trabalho infantil. Quanto maior a escolaridade do responsável, menor a incidência de trabalho na faixa de 10 a 17 anos: 94,2% dos jovens de famílias chefiadas por pessoas com ensino superior só estudam. Na casa cujo chefe de família não tem instrução, o percentual é 82,8%.



Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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