terça-feira, 26 de março de 2013

Brazlândia: Pesquisa revela que a quantidade de analfabetos cresceu 15,2%

Carla Rodrigues

Especial para o Jornal de Brasília


Na contramão das outras cidades do DF, Brazlândia, que conta com mais de 50 mil habitantes, apresentou aumento de 15,2% na taxa de analfabetismo nos últimos dois anos. O número que estava em um pouco mais de 1,5 mil passou para 1,8 mil. Os dados foram divulgados pela Companhia de Planejamento (Codeplan), que realiza a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD). Outro destaque da análise, segundo apontou o presidente do órgão, Júlio Miragaya, é o percentual de 37,5% da população com Ensino Fundamental incompleto. "O índice é maior do que as regiões administrativas já pesquisadas, tais como Samambaia e Recanto das Emas", salientou.

Essa é a terceira vez que o estudo é feito na região. O primeiro foi em 2004, o segundo em 2011. Para Miragaya, os aspectos negativos se concentraram nas informações sobre escolaridade. “Uma não redução nos índices de analfabetismo é negativa para nós. Acredito que o resultado remete a uma necessidade de mais trabalho da Secretaria de Educação”, indicou o presidente da Codeplan.

Sem oportunidade

Morador de Brazlândia, Francisco Solano dos Santos, de 37 anos, está nos índices de analfabetismo da região. Dono de uma oficina de lanternagem, ele contou que não sabe ler e nem escrever. Aliás, de acordo com ele, quando as letras não são emendadas, ele consegue soletrar algumas palavras que vê. Contudo, as dificuldades são grandes. “Já perdi empregos em mecânicas grandes porque eu não sabia ler”, disse.

Para escrever o nome, Francisco confessou que ensaiou muito. “Eu decorei como faz”, brincou. Ele disse que não teve oportunidade de estudar. “Meu pai e minha mãe eram muito pobres e eles só me ensinaram a trabalhar”, contou. Hoje, ele sustenta os cinco filhos com o dinheiro da oficina. “Não sei te dizer o que está escrito em cada fileira dessas que eu deveria preencher”, afirmou, apontando para o bloco de contas da mecânica.

As taxas de analfabetismo aumentaram também se somadas aos que sabem apenas ler e escrever, conhecidos como analfabetos funcionais, que somam mais de 1,4 mil pessoas, e aos que fazem curso de alfabetização de adultos, quase cem moradores de Brazlândia.

Em busca do tempo que foi perdido

A dona de casa Tânia de Melo está entre os que fazem curso de alfabetização. Aos 55 anos, ela está completando o Ensino Médio só agora. “Não deu para ir à escola no tempo certo. Tive outras prioridades na época”, relatou. Mãe de duas filhas, ela disse ainda que a falta de escolarização atrapalhou sua vida. “Perdi várias oportunidades de trabalho por conta disso. Por isso, vou me capacitar”, completou, referindo-se aos planos de fazer cursos profissionalizantes.

O levantamento da Codeplan aponta ainda duas possibilidades, avaliou Miragaya: ou os jovens estão abandonando os estudos ou a pesquisa foi realizada em casas com mais idosos, que concentram a maior parte dos analfabetos da região. Este é o caso de Jeová Dornela, que perdeu um pouco da capacidade de falar ainda jovem, e parou os estudos antes de completar 13 anos. Hoje, aos 73 anos, ele afirma que lê e escreve pouco. Os obstáculos por conta do baixo grau de instrução foram ultrapassados graças à esposa, que o ajuda no serviço de ambulante nas ruas de Brazlândia. Pais de sete filhos, driblaram as dificuldades para sustentar a casa.

DF Alfabetizado

Para tentar erradicar a analfabetismo na região, a Secretaria de Educação (SEDF) disse que investe no programa DF Alfabetizado. Hoje, de acordo com o chefe do núcleo do 1º segmento da Educação de Jovens e Adultos, João Felipe de Souza, Brazlândia tem 255 alunos inscritos no projeto. São 15 turmas com estudantes de 15 anos ou mais.


 

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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