terça-feira, 17 de julho de 2012

Primeira pílula anti-HIV para grupo de risco



A uma semana da 12ª Conferência Mundial de Aids, que será realizada em Washington, nos Estados Unidos, a Agência Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA) do país anunciou um reforço no arsenal de prevenção contra o HIV. Ontem, o órgão aprovou o uso de um remédio antirretroviral já existente no mercado americano desde 2004 para pessoas não infectadas, mas que correm maior risco de contrair o vírus, como usuários de drogas injetáveis e parceiros sexuais de soropositivos. O Truvada, do laboratório Gilead Sciences, é a primeira pílula preventiva já desenvolvida e, a partir de hoje, poderá ser vendida para esses fins nos Estados Unidos, com prescrição médica.

A aprovação do FDA ocorreu depois de dois estudos indicarem a eficácia do medicamento como medida profilática. Um deles, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, reduziu em 42% os riscos de infecção quando testado entre 2,5 mil homossexuais não infectados. A outra pesquisa, da Universidade de Washington, foi feita com 4,8 mil casais heterossexuais, em que uma das pessoas era soropositiva, e alcançou um índice de prevenção de 75%. Nos dois estudos, participaram indivíduos que admitiam ter um comportamento de risco. Ou seja, não usavam preservativos. Para tratamento de soropositivos, o remédio é administrado em um coquetel. Como preventivo, a posologia será de uma pílula diária.

“A aprovação de hoje representa um marco histórico na nossa luta contra o HIV”, afirmou, em comunicado de imprensa, Margaret A. Hamburg, diretora da FDA. “A cada ano, cerca de 50 mil adultos e adolescentes norte-americanos são diagnosticados com HIV apesar da disponibilidade de métodos de prevenção e de estratégias educativas. Novos tratamentos, bem como métodos de prevenção, são necessários para combater a epidemia de HIV no país”, disse. No Brasil, de acordo com a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Truvada foi aprovado em maio como antirretroviral, mas ainda não há, no país, autorização para que o remédio seja vendido também como meio de prevenção.

Soropositivo há 25 anos e integrante da coordenação da organização não governamental (ONG) Grupo Pela Vidda, Murilo Bezerro Duarte, 55, teme que a medida profilática acabe incentivando um comportamento irresponsável na população. “A única prevenção correta que existe é o uso de preservativo. Esse medicamento é mais indicado para reforçar, como no caso em que a camisinha estoure, por exemplo. O perigo é que as pessoas banalizem o HIV, algo que já acontece hoje. Quando veem que os soropositivos estão levando uma vida normal, elas acham que, se forem contaminadas, é só tomar um remédio e pronto. Com a vinda desse medicamento, essa coisa pode ficar pior”, acredita.

Ações educativas
Para evitar que isso ocorra, o FDA recomenda que os profissionais de saúde reforcem as orientações educativas sobre os riscos de infecção. “O Truvada como medida profilática está sendo aprovado dentro de uma estratégia para minimizar os riscos de indivíduos não infectados contraírem o vírus. O programa de treinamento e educação não vai se restringir à distribuição do remédio, mas reforçar a importância de fazer a profilaxia combinada a práticas de sexo seguro”, afirmou o órgão, em nota.

“Sozinho, o Truvada não é uma fórmula mágica. O uso exclusivo de um medicamento para prevenir o HIV ou qualquer outra doença sexualmente transmissível pode ter um desfecho pior se a pessoa não entender como seu próprio comportamento pode influenciar nos resultados esperados”, afirma Perry N. Halkitis, chefe do departamento de Psicologia e Aids da Associação Psicológica Americana. “Além de praticar sexo seguro, as pessoas que tomarem o remédio profilático precisam levar em conta a adesão ao tratamento. Elas terão de tomar a pílula todos os dias. Se tomarem a droga só ocasionalmente e depois contraírem o HIV, elas podem, inclusive, levar à resistência ao medicamento”, lembra.

“Elas terão de tomar a pílula todos os dias. Se tomarem a droga só ocasionalmente
e depois contraírem o HIV, elas podem, inclusive, levar à resistência ao medicamento”
Perry N. Halkitis, 
chefe do departamento de Psicologia
e Aids da Associação Psicológica Americana


Fábrica em Moçambique
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai inaugurar, no próximo sábado, uma fábrica de medicamentos antirretrovirais para o tratamento da Aids em Maputo, capital de Moçambique. A fábrica terá capacidade para a produção de 21 tipos de remédios para o combate à doença. De acordo com a Fiocruz, no primeiro ano, serão feitos medicamentos para atender a população moçambicana — a estimativa
é de que há um infectado por
HIV para cada grupo de três habitantes. Depois, a produção vai atender toda a África Subsaariana.

Fonte: Correio Web

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