segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ibama e indústria apoiam substituição de fonte de energia em padarias



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a indústria de panificação concordam sobre a necessidade de um programa nacional de substituição de madeira nativa por outras fontes energéticas, como gás e eletricidade, nos fornos usados por padarias e pizzarias.
Na Câmara, o assunto é tema do Projeto de Lei (PL) 806/11, do deputado Márcio Macêdo (PT-SE), em análise na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, e que foi discutido nesta quarta-feira em audiência pública.
Segundo o representante da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) José Jofre Nascimento, existem no mercado opções até mais eficientes dos que os fornos a lenha. O problema é que, no caso das padarias, principalmente do interior, as empresas não conseguem arcar com o custo da substituição. "Muitas delas não têm muito acesso à informação. Estão em áreas de interior ou suburbanas, em que o próprio empreendedor está muito ligado a seu negócio e não tem muito tempo ou condição para fazer essa mudança”, explicou.
De acordo com Jofre Nascimento, cerca de 20% das padarias do País usam forno a lenha, o equivalente a 15 mil empreendimentos. Parte dessa madeira, segundo ele, vem de florestas plantadas, serragem compactada ou restos de construção. Mas ainda existem casos de uso de vegetação nativa, principalmente da Caatinga e do Cerrado.
Autuações do Ibama
Ao não conseguir comprovar a origem da madeira usada nos fornos, padarias e pizzarias estão sujeitas a autuações pelos órgãos ambientais. O Ibama admite, no entanto, que faltam políticas públicas para ajudar o setor a se regulamentar. Representante do Ibama no debate, Hanry Coelho, da Diretoria de Floresta, disse que o projeto do deputado Márcio Macêdo é um caminho. "A posição do Ibama é de apoio a esse programa."

Em Sergipe, segundo Márcio Macêdo, um programa de substituição de fornos a lenha em padarias e pizzarias, com linhas de crédito específicas, tem dado bons resultados. “Há experiência bem sucedida. A matriz está sendo mudada, já em quase 100%. O setor está produzindo, continua se fortalecendo e contribuindo para preservação ambiental”, ressaltou
Parecer contrário
Por enquanto, o relator da proposta, deputado João Maia (PR-RN), tem parecer contrário ao projeto. Maia argumentou que não está clara a participação, no programa, dos bancos públicos de financiamento. “Aprovar sem fonte de financiamento é 'ouro de tolo'. Tem que trazer o Banco do Nordeste do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), agências de fomento, para que o pequeno empresário possa ter incentivo para substituir a lenha por uma energia alternativa”, argumentou.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e o BNDES foram convidados para a audiência pública, mas não mandaram representantes.

Agência Câmara

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