sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Taxa de mortes violentas de jovens no DF está acima da média nacional


A servidora pública Rosa Maria Pinto perdeu o filho Júlio César, 22 anos, há três semanas. O rapaz levou um tiro no pescoço durante um assalto (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A servidora pública Rosa Maria Pinto perdeu o filho Júlio César, 22 anos, há três semanas. O rapaz levou um tiro no pescoço durante um assalto



Os jovens são as maiores vítimas da violência urbana em todo o Brasil. Mas, no Distrito Federal, a taxa de homicídio masculina, que leva em consideração o número de mortes por 100 mil habitantes, supera os índices médios do país. Esse fenômeno registrado na capital federal chamou a atenção dos técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Apesar da queda registrada na última década, os números ainda são alarmantes. As estatísticas do DF mostram que cerca de 120 jovens perdem a vida por ano para cada grupo de 100 mil moradores. A média brasileira é de 94,3.



A discrepância entre os dados nacionais e os da capital mostra que a violência urbana ainda é um desafio para as autoridades. O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, considerou o resultado muito ruim e frisou que a taxa de homicídio masculina está crescendo no Distrito Federal. “Ela é bem superior à média brasileira. Isso tem relação com a urbanização e com a forma com que o Estado lida com a juventude”, explicou.



A taxa de assassinatos entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no DF é a quinta maior do país e a capital federal só perde para estados como Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo e Rio de Janeiro. No Centro-Oeste, essas estatísticas de violência estão em alta: a taxa subiu de 89 mortos para cada 100 mil habitantes para 96 na última década.



A funcionária pública Rosa Maria Pinto da Silva, 51 anos, ainda sofre a dor de ver a família entrar nessas estatísticas. Ela perdeu o filho Júlio César, aos 22 anos, há apenas três semanas. O jovem estudante de ciências sociais da Universidade de Brasília saía de uma festa em Taguatinga, quando foi rendido por assaltantes que queriam levar o carro do rapaz. Ele não reagiu, mas acabou levando um disparo que acertou o pescoço.



Júlio César ainda ficou internado por quase um mês, mas seu estado de saúde se agravou rapidamente. Segundo a família, houve falhas graves no atendimento prestado no Hospital de Base. O rapaz teve uma infecção generalizada e, por conta disso, a família não pôde sequer realizar o sonho de doar os órgãos do estudante. “Ele era um rapaz cheio de sonhos e cheio de vida. Realizou o grande desejo de entrar na UnB, estava fazendo inglês e informática porque queria ter uma carreira de sucesso. Os assassinos foram presos e isso nos conforta um pouco. Mas nada vai trazer meu filho de volta”, comenta Rosa Maria. As referências a Júlio César ainda estão em todos os cantos da casa da família, em Ceilândia Sul. O violão e a camisa do Grêmio, time de coração do rapaz assassinado, trazem lembranças do rapaz a todo momento.



A presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal, Ivelise Longhi, garantiu que os dados do estudo do Ipea vão ajudar a planejar melhor as políticas públicas da cidade, inclusive na área de segurança pública. Mas ela lembrou que alguns dados acabam distorcidos quando se comparam as informações do DF com as de outros estados. “Muitas vezes, é preciso comparar as estatísticas do DF com as de outras capitais ou grandes cidades. Como o Distrito Federal é ao mesmo tempo um estado e um município, algumas comparações acabam distorcidas”, comentou Ivelise. Para ela, os dados do Entorno, apesar de não computados oficialmente, também têm influências nas estatísticas do DF. “Principalmente nos dados de violência”, garantiu a presidente da Codeplan. “Por isso, defendemos que as políticas públicas envolvam também o Entorno, especialmente os 10 municípios mais vinculados ao Distrito Federal”, finalizou Ivelise.
Fonte: CorreioWeb

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