quinta-feira, 30 de junho de 2011

Brasil, a terra das "bíblias"

Desde que o alemão Johann Gutenberg imprimiu a primeira “Bíblia”, em 1450, o texto sagrado é o livro mais vendido do mundo, com uma tiragem estimada entre seis e oito bilhões de exemplares. Agora o Brasil acaba de se inserir na história da “Bíblia” ao se tornar o maior produtor da escritura religiosa e registrar a impressão da centésima milionésima edição. O feito histórico aconteceu na Gráfica da Bíblia, em Barueri, em São Paulo, onde são rodados entre 30 mil e 40 mil obras sacras por dia – ou seja, uma “Bíblia” ou Novo Testamento a ca­­­­­da três segundos. A data da impressão histórica, 26 de maio, passará a fazer parte do calendário religioso brasileiro. 

A Gráfica da Bíblia pertence à Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), uma instituição filantrópica fundada por líderes cristãos em 1948, no Rio de Janeiro, com o objetivo de difundir o texto religioso. Ao contrário do que se poderia supor, a Igreja Católica não é a principal cliente da gráfica – o posto é dos evangélicos. A SBB, organização ecumênica, produz livros sob encomenda para denominações neopentecostais, como as igrejas Renascer em Cristo e Universal do Reino de Deus, e pentecostais, como a Assembleia de Deus, entre outras que disputam os cristãos.
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“A Igreja Católica nunca deu ênfase à leitura da “Bíblia”. Os evangélicos compram mais”, explicou o teólogo gaúcho Erní Seibert, secretário de comunicação e ação social da SBB. Segundo ele, a instituição vende cerca de seis milhões de “Bíblias” por ano, ao preço médio de R$ 10, começando por R$ 2 (o campeão de vendas, de brochura) até chegar à mais cara edição, de R$ 133,90, a “Bíblia de Estudo Shedd”, com capa de couro, mapas coloridos e dez mil notas de rodapé. Vinte por cento da produção é destinada à exportação para 105 países, em línguas como inglês, espanhol, árabe, hebraico e também latim. A SBB lança 40 títulos inéditos por ano. Muitos temáticos, como a “Bíblia da Família”, a “Bíblia da Mulher” e a “Bíblia do Surfista”.

A SBB domina 70% do mercado editorial bíblico brasileiro. Os outros 30% são divididos entre editoras como as católicas Vozes e Ave Maria, por exemplo. Tudo o que é arrecadado com as vendas é revertido para projetos sociais da instituição e aplicado na confecção de novas “Bíblias”. “Quando inauguramos a Gráfica da Bíblia, nossa capacidade era de dois milhões por ano. Investimos e a tiragem mais do que triplicou”, afirma Seibert. Boa parte da produção é distribuída gratuitamente em escolas, presídios e comunidades carentes. “Imprimimos 2,5 mil “Bíblias” em braile anualmente e doamos aos deficientes visuais que nos procuram. Somente isso é um investimento de mais de R$ 1 milhão por ano.”

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Fonte: Revista Isto É

Volta à Câmara projeto que torna obrigatório assento especial para deficientes e obesos

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (29), por meio de votação simbólica, a criação de áreas específicas e a instalação de assentos para pessoas portadoras de deficiência e pessoas obesas em casas de diversão pública e outros estabelecimentos. O Projeto de Lei da Câmara 184/2008, de autoria do ex-deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ), sofreu alterações no Senado e vai retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.
De acordo com o projeto, as casas de diversão pública, salas de convenções, instituições de ensino, edifícios públicos e salas de espera deverão instalar assentos para pessoas obesas e ter áreas específicas para portadores de deficiência. O objetivo é facilitar a locomoção e a permanência de pessoas nessas condições nesses locais.As poltronas e cadeiras para pessoas obesas devem atender às dimensões e aos parâmetros de resistência e ergonomia fixados em regulamento. A quantidade de assentos e áreas especiais não poderá ser inferior a 2% da capacidade de lotação do estabelecimento.
O texto considera casas de diversão pública aquelas que apresentam espetáculos culturais, artísticos, desportivos ou qualquer outro entretenimento, de caráter permanente ou transitório. As novas regras deverão entrar em vigor 180 dias após a publicação da lei.
Fonte: Agência Senado

quarta-feira, 29 de junho de 2011

GDF lança projeto de inclusão digital para 1 milhão de pessoas

Inclusão digital para 1 milhão de pessoas. Essa é a meta estabelecida pelo Governo do Distrito Federal até 2014 para a certificação no Programa de Orientação a Novas Tecnologias e Oportunidades, lançado nesta quarta-feira (29/6). Serão criados em todo o DF 300 centros tecnológicos comunitários, para promover cursos de educação formal, tecnológicos e profissionalizantes. Além de converter 102 telecentros já existentes ao novo modelo.

O programa será coordenado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do DF e terá o objetivo de oferecer acesso universal às Tecnologias da Informação e Comunicação.A intenção dos centros comunitários digitais é ser uma fonte de gestão local, ou seja autossustentável, serão montados planos de negócios específicos para cada ponto desses, e a sociedade terá a possibilidade de ter gerir ela própria.Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia, Gastão Ramos, o projeto representa uma oportunidade de inclusão social. “Nós temos grandes valores escondidos na periferia, e agora eles terão oportunidade. O que nós queremos dar é formação para esses meninos, dar oportunidade para que eles possam entrar no mercado de trabalho e tirar eles das ruas e da ociosidade", afirmou."Esse é um programa diferenciado, onde o aluno evolui. Não é só um sistema de certificação, porque isso não é inclusão social. Nesses telecentros o aluno pode evoluir cada vez que mostrar que tem capacidade”, comentou o secretário Gastão Ramos.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Obras inacabadas servem de esconderijo para bandidos e usuários de drogas

Percorrer o Distrito Federal sem se deparar com uma obra abandonada é uma tarefa quase impossível. Há esqueletos de ginásios esportivos, centros comunitários, clubes e até residências que agridem a paisagem e tiram a paz dos moradores. São construções públicas e privadas que se transformaram em redutos de usuários de drogas, homicidas, ladrões em fuga e estupradores. Na última semana, o Correio visitou 12 pontos críticos, todos inutilizados há mais de cinco anos. Um desperdício de recursos imensurável. Num desses cenários esquecidos, a jovem Vanessa*, 24 anos, foi violentada sexualmente por dois moradores de rua em 11 de junho. Ela foi rendida na SQN 108, em plena luz do dia, levada para a SQN 208 e estuprada pela dupla numa área cercada por vigas de concreto onde deveria ser erguido um prédio, mas há cinco anos nenhuma fundação foi construída. Os abusadores acabaram presos no dia seguinte.

Em Sobradinho 1, o problema é duplo. Na Quadra 7, um antigo complexo esportivo com 60 metros de comprimento e 40m de largura está ocupado por dezenas de moradores de rua. Nos dois maiores cômodos, onde deveriam funcionar os vestiários de crianças e adolescentes praticantes de futebol, basquete e vôlei, a sujeira tomou conta. Mendigos invadem os aposentos para fazer suas necessidades fisiológicas. Para piorar o cenário degradante, vários preservativos usados podem ser vistos.

Segurança privada


Chamado de Castelo de Grayskull, um ginásio inacabado na QNN 13 de Ceilândia é local de uso de drogas: Correio já denunciou o descaso (Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press)
Chamado de Castelo de Grayskull, um ginásio inacabado na QNN 13 de Ceilândia é local de uso de drogas: Correio já denunciou o descaso
A duas quadras dali, uma estrutura ainda maior chama a atenção. A base começou a ser erguida para uma garagem de ônibus, há 10 anos, mas, à época, os moradores da região alegaram que o trânsito dos coletivos tiraria a qualidade de vida do bairro. A obra não saiu do papel e o dono não deu outra destinação até hoje. O estudante Victor Carvalho Santos, 21 anos, mora ao lado do esqueleto. Ele conta que a família residente antes dele na casa foi furtada cinco vezes.

Com medo de se tornarem vítimas, os pais de Victor investiram alto em segurança privada. O imóvel é todo protegido por cerca elétrica e tem seis câmeras de monitoramento ligadas 24 horas. “A presença de bandidos nesse terreno é muito grande. Não dá para confiar que eles não vão fazer nada. Aí dentro a polícia já encontrou carro roubado, prendeu traficante. É um lugar temido”, contou.

Já a dona de casa Joana Machado, 41 anos, pensa, num futuro próximo, em vender a casa localizada em frente aos restos do ginásio. “Nós vivemos com medo. Já entraram na minha casa uma vez e levaram algumas ferramentas. Não dá para ficar aqui por muito tempo. Essa situação já perdura há mais de 10 anos e só piora”, reclamou.

No outro extremo do DF, a situação é igualmente preocupante. Na Quadra 3 do Setor Leste do Gama, a obra inacabada de uma casa de três andares ameaça há mais de cinco anos a integridade da vizinhança. Depois que os pedreiros pararam de trabalhar no local, bandidos passaram a usar a edificação como uma espécie de QG do crime. Eles espalharam canos por várias janelas no último andar e, através deles, observam a movimentação nas ruas, inclusive, a da polícia. No dia em que o Correio percorria a região, um grupo de cinco jovens fazia gestos ameaçadores, na tentativa de intimidar a equipe de reportagem.

Clube

O garçom Cid Pereira Victor, 42 anos, recorda com saudade do tempo em que o Clube Primavera, em Taguatinga Norte, era um dos locais mais badalados da cidade. “Até Zezé di Camargo e Luciano cantaram aqui”, relembra. A área onde fica o clube é invejável. Tem três piscinas, campo de futebol, sala de jogos e até espaço para sauna. Mas tudo está abandonado desde 2004, quando o complexo recreativo perdeu seu público e caiu em decadência. As dívidas se acumularam, vários funcionários acionaram a Justiça para exigir seus direitos trabalhistas e, como nada foi pago, a área voltou para as mãos da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Existe a ideia de desmembrar o terreno e licitar os lotes.

Enquanto o clube não é contemplado com soluções concretas, o tempo se encarrega de apagar ainda mais a história do lugar. Uma das piscinas tem água acumulada e parada, ambiente propício para a proliferação do mosquito da dengue. O amplo espaço tomado pelo mato alto é um convite para bandidos. Cid enumera vários episódios de violência dentro do clube. “Já teve troca de tiro, briga, uso de drogas, estupro. Acontece de tudo o que você imaginar aí dentro”, conta.

Na cidade vizinha, Ceilândia, mais precisamente na QNN 13, há mais de uma década a população se depara com cenas deploráveis: homens, mulheres, adolescentes e até crianças passam os dias usando crack nas dependências dos restos de um antigo ginásio esportivo, apelidado de Castelo de Grayskull. O Correio denunciou o descaso em várias matérias, mas, até hoje, ninguém conseguiu resolver o problema. O atual administrador, Ari de Almeida, promete ocupar em breve o espaço. A ideia é liberar o ginásio para um projeto que atenda jovens praticantes de esporte. O primeiro passo já foi dado com o cercamento da área e o restabelecimento da luz e da água. Um vigilante também faz a segurança do local para evitar que ele volte a ser ocupado. Resta saber se a estrutura realmente passará por reforma, ou ficará esquecida até que o próximo gestor assuma e resolva não dar a devida atenção ao projeto de seu antecessor, como ocorreu na última década.

Duas perguntas para
José Matias-Pereira, professor de Administração Pública da Universidade de Brasília (UnB)

O que o cidadão deve fazer diante de situações como a que se vê no DF?
“A população precisa entender que ficar calada, evitar se envolver nesse debate e na própria fiscalização da obra somente irá contribuir para o agravamento desse quadro de desperdícios de recursos públicos. Assim, na medida em que ficam evidenciado desvios e irregularidades em obras públicas, é importante o envolvimento da sociedade civil por meio de seus segmentos organizados, no sentido de cobrar respostas e ações adequadas de seus governantes, seja em nível federal, estadual ou municipal. Esse cenário descrito somente irá mudar com o engajamento de todos no processo de formulação, implementação e fiscalização das obras que integram as políticas públicas, em todos os níveis, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança e transportes.”

A legislação brasileira é falha quanto à punição de governantes que não encaram como prioridade a conclusão de obras lançadas?
“A legislação, ou ausência dela, é apenas uma parte desse processo distorcido que vivenciamos no país. É inconcebível a existência desse significativo conjunto de obras importantes que se encontram inacabadas, tanto em nível federal, estadual como municipal. O descomprometimento dos novos governantes em promover a conclusão de obras inacabadas precisa ser alterado em todos os níveis de governo. Todos perdem com essa omissão dos governantes, em particular as pessoas e a economia da região onde essas obras estão localizadas. Acredito que é importante que as pessoas prejudicadas por essas obras paralisadas, notadamente nos períodos eleitorais, exijam dos candidatos que incluam nos seus planos de governo a conclusão das mesmas. Dessa forma terão argumentos e instrumentos concretos para cobrar dos governantes posteriormente.”


Fonte: CorreioWeb

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Frente evangélica declara apoio a juiz que anulou união homoafetiva em Goiás

Frente Parlamentar Evangélica divulgou hoje uma moção pública em solidariedade ao juiz da 1º Vara de Fazenda Pública de Goiânia (GO), Jerônymo Pedro Villas Boas, que anulou o pedido de união estável de um casal homossexual e estendeu a proibição para todo o estado de Goiás. O grupo alega que o juiz tem o livre discernimento para poder julgar casos do tipo.
No início de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que casais homossexuais têm os mesmos direitos civis que casais heterossexuais. Na terça-feira (21), a corregedora do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, revogou a decisão de Jerônymo Villas Boas. Segundo ela,  o juiz agiu de ofício (sem ser provocado), não deu oportunidade aos envolvidos (o estudante Odílio Torres e o jornalista Leo Mendes) de se defender, além de ter contrariado decisão vinculante do STF. O juiz alegou que enquanto o acórdão não for publicado a decisão dele será válida.
A frente também pede a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/11, que permite ao Congresso sustar atos do Poder Judiciário que tenham exorbitado de suas funções. Os parlamentares solicitam ainda que a Procuradoria Geral da República declare a suspensão do ministro Marco Aurélio Mello da relatoria da ação, no STF, sobre aborto de fetos anencefálicos. O grupo entende que o ministro, em entrevistas à imprensa, antecipou seu voto favorável ao aborto nesse caso.
Fonte: Agência Câmara

Viciados em crack no Brasil chega a 1 milhão


O número de viciados em crack no Brasil ultrapassa 1 milhão. Entre as drogas é a mais destrutiva. Na tarde desta segunda-feira (20/6), por proposição do deputado estadual Eduardo Rocha (PMDB), a Assembleia Legislativa discutiu este problema de saúde pública na audiência “Enfrentamento e combate ao crack”.
“O avanço do crack no Brasil se tornou uma epidemia. Não há uma classe social atingida, são todas as classes. O crack está em todos os municípios, tanto na área urbana como a rural, se tornando um grave problema de saúde pública. O crack destrói o usuário e sua família. O Poder Público precisa enfrentar este problema de frente e evitar a destruição de nossos jovens”, destacou Rocha.
Para o juiz federal Odilon de Oliveira, a situação é crítica. “A estrutura da polícia é frágil. O número de efetivo é baixo. A estrutura prisional é deficiente, pois não recupera ninguém”, disse.
O deputado federal Luiz Henrique Mandetta, membro da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas, afirmou que o país não tem instrumento para tratar a epidemia de crack.
Prevenção
Odilon acredita que o grande problema está na falta de prevenção. "É necessária uma mobilização envolvendo as escolas, famílias, meio de comunicação, igrejas, órgãos públicos e classe empresarial".
Segundo o juiz, o Estado não tem recurso para investir em combate e prevenção e, por isso, é importante o apoio de empresários. “A recompensa seria o incentivo fiscal. Outra solução é usar o dinheiro apreendido do tráfico de drogas para investir em combate e prevenção às drogas”, explicou.
Mandetta destacou o aspecto frágil das leis. “O Brasil precisa de leis mais severas para o tráfico. Estou apresentando proposta para acabar com a redução de pena para o crime de tráfico de droga. É inadmissível que aquele que visa o lucro sobre o sofrimento das pessoas, consiga viver em um paraíso de impunidade, que é o Brasil”, salientou.

Brasil tem quase 1 milhão de viciados em cocaína, segundo a ONU

O Brasil amarga uma sombria posição no consumo de cocaína na América do Sul e na Central: no país, estão presentes 900 mil usuários da droga, o que representa 33% dos usuários da região. Os números nos conferem o título de maior mercado consumidor da droga, em termos absolutos. Com a divulgação do Relatório Mundial sobre Drogas 2011 apresentados ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), surge outra posição de “destaque”. O país está se tornando um dos principais centros distribuidores de cocaína para a Europa. Em 2009, foram 260 apreensões da droga no continente com passagem pelo Brasil, que somaram 1,5t. Em 2005, foram 25 casos, somando 339 kg de cocaína. No relatório, o Brasil foi o único país  sul-americano citado como nação de saída da cocaína com destino à África .


Apesar de campeão em número de casos, o país perde para o Equador e para a Venezuela no volume da droga enviada ao velho continente. Os países foram responsáveis, respectivamente, pelo envio de aproximadamente 2,5t e 6,5t, no mesmo ano. O caso brasileiro é classificado de “microtráfico”, segundo a Polícia Federal (PF). “Esse tráfico é caracterizado por muitos casos e pela pequena quantidade. As mulas, muitas vezes sem antecedentes criminais, levam a droga em voos comerciais nas mais variadas formas possíveis”, afirmou o coordenador-geral de Polícia de Repressão a entorpecentes da PF Márcio Nunes.



O coordenador informou que a polícia faz um trabalho de investigação dos viajantes e, quando há indícios de porte de drogas, a pessoa pode passar por equipamentos como o body scan, que detecta inclusive a droga ingerida. No entanto, essa tecnologia só existe em quatro aeroportos do país — em Manaus, no Recife, no Rio de Janeiro (Galeão) e em São Paulo (Guarulhos), que concentra a maior quantidade de apreensões.



De acordo com Nunes, o governo pretende implantar outros seis escâneres corporais ainda neste ano. “Estamos terminando de priorizar quais serão os aeroportos, mas levaremos em consideração o fluxo e histórico de apreensões. Vamos adequar os aeroportos de forma padrão até por conta dos jogos olímpicos e da Copa.” A aquisição dos equipamentos é feita em parceria com o governo norte-americano e, segundo a PF, eles estão em fase de entrega.



Fronteira

O coordenador reitera que a cocaína está presente no país em função, especialmente, do tráfico de drogas. Ele informou que a principal fragilidade do Brasil é a região fronteiriça, que abrange um território de 8 mil quilômetros em contato com os principais produtores de coca do mundo: Colômbia, Peru e Bolívia. “Ainda que colocássemos todos os policiais federais, estaduais e os agentes das forças nacionais lado a lado, não conseguiríamos cobrir toda a fronteira. O fluxo é muito grande, e também existem os acessos aéreos e fluviais”, disse.



O representante do Unodc para o Brasil e o Cone Sul, Bo Mathiasen, reiterou que um dos motivos de o país ter se tornado um mercado consumidor foi a mudança da rota mundial: “Houve um deslocamento do consumo de cocaína da América do Norte, onde houve uma diminuição de 40% nos últimos anos. Os traficantes também estão buscando mercados mais próximos, como a Argentina, o Brasil e o Chile, que são interessantes porque têm uma parcela da população com bom padrão de vida e poder aquisitivo elevado”.



O diretor de Assuntos Internacionais da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), Vladimir de Andrade, afirmou que o governo federal tem atuado em parceria com os dados fornecidos pela ONU e vem buscando tratar os usuários. “Começamos a habilitar 925 leitos em comunidades terapêuticas e estão sendo implementadas 23 casas de acolhimento transitório”, citou.




Mais consumo de anfetaminas

Segundo o documento apresentado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), na América do Sul, a prevalência anual do uso de anfetaminas é próxima da média mundial, com estimativas entre 0,5% e 0,7% da população entre 15 anos e 64 anos, ou entre 1,34 milhão e 1,89 milhão de pessoas. Na região, o Brasil, a Venezuela e a Argentina são os países com a maior prevalência e o maior número absoluto de usuários — no Brasil, o percentual é de 0,7%, o maior da região. O relatório informa ainda que o uso dessas substâncias é mais comum entre mulheres “devido aos efeitos anoréxicos e a uma cultura predominante de uso de medicamentos para propósitos de perda de peso”.




quinta-feira, 23 de junho de 2011

GDF quer abrir licitação para legalizar terrenos de templos religiosos

A lei que autoriza a regularização fundiária dos templos religiosos do Distrito Federal foi sancionada no feriado de Corpus Christi de 2009. Mas, desde a definição das regras, nenhuma igreja conseguiu a documentação dos lotes ocupados. Dificuldades para licitar os imóveis e detalhes da legislação impediram o lançamento de editais de concorrência pública para regularizar os templos. Agora, o governo quer mudar as normas e abrir licitação para legalizar os primeiros terrenos até o próximo dia 6. A meta é resolver a situação de todos os 1,8 mil templos irregulares, que foram erguidos antes de 2009.

O Projeto de Lei Complementar nº 13/2011, que altera a Lei Distrital nº 806/2009, recebeu ontem a aprovação dos deputados distritais que integram a Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) da Câmara Legislativa. A proposta, de autoria do governador Agnelo Queiroz (PT), chegou à Casa no mês passado. Agora, falta apenas a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. A expectativa dos parlamentares e do governo é que, em duas semanas, a lei esteja em vigor e a licitação seja lançada, com a inclusão dos primeiros terrenos a serem legalizados.

As discussões em torno da regularização dos lotes ocupados por templos religiosos se arrastam há quase duas décadas. As áreas foram cedidas pelo governo, sem o pagamento devido. Com o vencimento das concessões, o Ministério Público do Distrito Federal passou a exigir o cumprimento da lei, com a realização de licitação pública. Diversos governos tentaram resolver o problema, alguns com medidas eleitoreiras, que previam a doação dos terrenos. Mas a Justiça suspendeu todos esses contratos e determinou a realização de concorrência pública.

Há dois anos, o Executivo sancionou a Lei nº 806/09, que estabelece as normas para a regularização. As regras valem para os templos religiosos e também para entidades de assistência social que ocupam área pública. Todas deverão pagar pelos lotes ocupados, mas o GDF quer buscar facilidades para essa quitação. O novo projeto de lei que tramita na Câmara prevê um prazo de até 240 meses para o pagamento dos valores devidos. A avaliação levará em conta os preços aferidos em 2006, quando foi feito o primeiro levantamento de valores.

Sem empecilhos
Com essas facilidades, o governo quer reduzir os empecilhos para que as igrejas comprem os terrenos. Muitas delas estão instaladas em áreas muito carentes, onde os fiéis dificilmente terão condições financeiras para reunir o total cobrado. Além disso, nas regiões mais valorizadas, os preços de mercado certamente ficariam muito altos.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Geraldo Magela, diz que vai lançar o primeiro edital em até duas semanas e, depois, serão abertas licitações mensalmente, até a legalização de todos os templos. “A Terracap está fazendo vistoria em todos os lotes listados na lei aprovada em 2009, para ver se são de fato terrenos ocupados por igrejas. Houve casos isolados de imóveis que tinham, por exemplo, apartamentos. E esses serão excluídos da lista das igrejas a serem legalizadas”, explica.

A ideia é avaliar os terrenos como se tivessem uso comercial e aplicar um percentual de desconto, já que a única destinação possível nessas áreas é para igrejas — o que naturalmente reduz o valor de mercado e o interesse do mercado imobiliário. “Será uma licitação com direito de preferência. Os ocupantes poderão comprar pelo preço oferecido e, se não tiverem interesse, outra igreja terá o direito de arrematar a área”, orienta o secretário de Desenvolvimento Urbano.

Algumas igrejas estão em terrenos classificados como residenciais ou inicialmente destinados a equipamentos públicos. Nos casos em que for possível, será feita a mudança de destinação do terreno. Depois, o governo terá que criar novas normas de gabarito para essas áreas e, somente ao fim desse processo, os lotes poderão ser vendidos.

Novidades
A principal mudança proposta no Projeto de Lei nº 13/2011 é a retirada do artigo que estabelecia o potencial construtivo igual a 1. Com essa norma, as igrejas só poderiam ter área construída equivalente à área total do lote. Isso inviabilizava muitas regularizações, pois o espaço total de edificação era muito maior do que o tamanho do lote. Agora, esse potencial vai variar caso a caso.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Boa Notícia: CAF aprova projetos que beneficiam templos religiosos

A Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) da Câmara Legislativa aprovou na reunião ordinária desta terça-feira (21) dois projetos que beneficiam a regularização de templos religiosos na cidade. O primeiro a receber o voto unânime dos deputados Cláudio Abrantes (PPS), presidente da Comissão, além de Celina Leão (PMN) e Wasny de Roure (PT), foi o projeto de lei complementar 13/2011, do GDF, que altera artigos da lei complementar 806/2009, que garante também benefícios para regularização dos templos de matrizes africanas.
Os membros da CAF aprovaram também o projeto de lei 159/2010, do deputado Cristiano Araújo (PTB), que garante a destinação de áreas para templos religiosos nos novos parcelamentos urbanos a serem implantados no DF. A proposição teve o voto favorável dos três distritais que participaram da reunião de hoje.
A criação no âmbito do GDF de programa habitacional para os trabalhadores da área de vigilância é o que prevê o projeto de lei 1506/2009, também do deputado Cristiano Araújo (PTB), aprovado na reunião de hoje pela Comissão de Assuntos Fundiários, por consenso.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Postura no contato inicial pode determinar o sucesso ou fracasso de uma carreira

A preparação para conquistar uma vaga no mercado de trabalho começa com a escolha da profissão, a confecção de um bom currículo e uma postura adequada na entrevista. Depois disso, vem a ansiedade sobre a decisão da contratação e a resposta do gestor acerca do desempenho de cada um. Se ela é negativa, o jeito é partir para a próxima e começar tudo de novo, mas se a pessoa recebe o "sim" para o ingresso na organização, um novo procedimento se inicia. É o momento de pensar em como agir no primeiro dia de trabalho para causar uma boa impressão e mostrar que todas as qualidades apresentadas na seleção eram verdadeiras.

De acordo com o autor do livro Fui contratado! E agora?, Gutemberg B. de Macêdo, o primeiro dia de trabalho determina o sucesso (ou o fracasso) de uma carreira. Seja para quem está começando ou para aqueles que estão trocando de emprego, a insegurança e a apreensão - características dos momentos de transição - podem ser superadas com algumas táticas simples. "Antes de entrar em uma nova organização, é necessário fazer o dever de casa e estudá-la em profundidade: conhecer a sua história, a filosofia, a cultura, os valores, os planos estratégicos e outros", ressalta o também presidente da empresa Gutemberg consultores.Esses conhecimentos podem ser adquiridos no site da empresa ou com coaches que conheçam o mercado. São essas informações que evitarão erros graves, como ir trabalhar com roupas fora do padrão ou utilizar linguajar inadequado para o momento, como gírias e palavrões. No primeiro dia, não se deve criticar o emprego anterior, dar sugestões para mudar todo o sistema do local, criticar os colegas por aparência ou qualquer outro fator ou começar a contar detalhes da vida pessoal no intuito de fazer amigos. Tudo isso pode desabonar o novo contratado.O ideal é ser discreto, porém simpático, e ouvir mais do que falar: perguntar o necessário e se inteirar sobre quais serão as atividades a serem concretizadas e o que a organização espera do novo colaborador. "Perceber a cultura do local é essencial. As mudanças e a imposição do jeito de cada um trabalhar podem acontecer com o tempo. No primeiro dia, é preciso demonstrar proatividade, mas dentro do espaço que o gestor oferecer", afirma a professora de planejamento estratégico em gestão de pessoas do Iesb, Beatriz Albarello.Foi com agenda e caneta na mão que Marcelo Lima Ferreira, 33 anos, anotou todas as explicações do primeiro dia de trabalho. Depois de prestar serviços a uma loja por 11 anos, o morador de Vicente Pires resolveu que queria algo novo. Apostou em uma grande empresa varejista de Uberlândia que está vindo para Brasília e voltou a sentir esperança de crescimento. "Quando ficamos muito tempo em um lugar, a gente acaba pegando alguns vícios. Logo de início pensei em fazer comparações, mas depois abstraí isso e comecei a prestar atenção apenas no treinamento que estava recebendo. Não quis perder nenhum detalhe", conta.Marcelo será gerente de uma das lojas da rede em Taguatinga, mas enquanto ela não é inaugurada faz questão de conhecer todos os vendedores, gerentes e aprender com eles. “Anotei tudo que me passaram: como fazer a contagem de mercadorias, as promoções, a abertura de caixa, como vai funcionar o meu trabalho, o que tenho que fazer. Quando tiver dúvidas, terei minha agenda para consultar e não ficarei perguntando a mesma coisa toda hora”, observa. Em 26 dias de trabalho, ele tem ouvido opiniões, já conhece os vendedores e tem a intenção de aprender a cada dia com eles. “Tenho experiência e estou me qualificando para crescer dentro da empresa. Para isso, precisarei de uma equipe motivada e que me veja como espelho”, analisa o também estudante de administração.Iniciativa organizacionalAssim como os novos empregados se preparam para o ingresso no cargo alcançado, as organizações têm programas de treinamento e interação que devem ser levados a sério. Cada um com sua programação, eles significam a oportunidade de começar de forma saudável na equipe e fazer um serviço de excelência nos moldes que o local deseja. Daniela Fernandes de Jesus, 18 anos, está em seu primeiro emprego. O aprendizado que teve nos primeiros momentos foi essencial para o bom desempenho do trabalho que já executa há três meses.Contratada em uma loja de bijuterias no Pier 21, mesmo antes de fazer a entrevista, Daniela já estava interessada em saber como funcionava o trabalho. Conversou com uma prima que também é vendedora e aproveitou a forma que a empresa escolheu para capacitá-la. "As vendedoras me ensinaram como fazer. No primeiro dia, fiquei observando como elas vendiam e prestei atenção nas dicas. No segundo, vendi sozinha e fui muito bem. Hoje, já passei do período de experiência e quero aproveitar meu emprego para comprar um carro e começar a pagar uma faculdade", almeja.A experiência bem-sucedida de Daniela com as outras colaboradoras é ideal para manter o bom ambiente de trabalho, mas Gutemberg alerta que é preciso tomar cuidado com alguns estilos de funcionários. "Existe uma figura que os norte-americanos chamam de Madre Mary. É aquela pessoa que não foi a lugar nenhum na organização e, quando um elemento novo chega, procura envenená-lo. Disfarça-se de amigo, mas só quer reclamar. Fuja desse tipo", adverte o especialista.Em terreno desconhecido, o ideal é conhecer as pessoas com calma, se oferecer para ajudar e respeitar o espaço do outro. No primeiro dia, o interessante é passar uma boa impressão, cumprimentar todos e observar. Existem aquelas que darão boas-vindas e outras que se sentirão preteridas por não estarem naquele cargo ou porque indicaram um amigo que não foi contratado. Nesses dois últimos casos, apenas um bom trabalho com desenvolvimento de projetos e paciência poderá surtir bons resultados.Para se destacar diante de condições desfavoráveis, é importante montar um plano de trabalho, mostrar comprometimento e se esforçar para conseguir realizar tarefas em grupo. No caso de cargos de chefia, se não houver aceitação de alguns subordinados, será necessário conversar com os colaboradores para saber quais soluções podem ser tomadas. Para quem ingressará em um cargo para semelhantes, o ideal é ser íntegro e contribuir para o crescimento da empresa, esperando, assim o reconhecimento dos colegas.TreinadorO coach é o treinador que ajuda o profissional a se adequar ao que é pedido pelo mercado de trabalho. Ele transmite capacidades ou técnicas que desenvolvem os conhecimentos dos clientes para satisfazer a necessidade deles e dos empregadores. Consegue organizar ideias práticas e transformá-las em um plano de ações para concretizar sonhos em ambientes organizacionais. 


Fonte: CorreioWeb

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Absurdo: CDH-DF despreza proibição de Dilma e banca Kit Gay

                    Mesmo com a proibição da Presidenta Dilma, o Conselho dos Direitos Humanos do Distrito federal resolve endossar a distribuição do Kit Gay no DF.  O presidente do conselho, Michel Platini Gomes Fernandes, após analisar o conteúdo do material educativo do Ministério da Educação, que aborda aspectos da homossexualidade, bissexualidade e transexualidade, o grupo resolveu apoiar a causa. O Kit que para os educadores incita e incentiva a homossexualidade e combate o que seus ativistas chamam de “heteronormatividade” deve começar a ser distribuído nas escolas públicas do Distrito Federal.

Então você que é pai, mãe ou familiar de algum aluno da Rede Pública de Ensino do DF, fique de olho, pois este Kit está proibido pela Presidência da República e não pode ser distribuído.

Veja a Reportagem publicada no Jornal Alô Brasília sobre o tema:  

Para tentar evitar o bullyng homofóbico nas escolas do Distrito Federal, o Conselho de Direitos Humanos do Distrito Federal publicou uma resolução, no diário oficial do DF, que apoia a distribuição do kit – anti-homofóbico para professores da rede pública de ensino do DF.
De acordo com o presidente do conselho, Michel Platini Gomes Fernandes, após analisar o conteúdo do material educativo do Ministério da Educação, que aborda aspectos da homossexualidade, bissexualidade e transexualidade, o grupo resolveu apoiar a causa. “O Conselho quer relatórios trimestrais sobre a execução de ações adotadas para o combater o bullying homofóbico nas escolas. O professor é sujeito ativo na desconstrução de qualquer forma de discriminação ou violação de direitos”, ressaltou Platini.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vítimas da violência sexual dão uma virada na vida


O sonho de um horizonte profissional vitorioso somado a realizações pessoais, deixando para trás um passado triste. Esse pensamento é recorrente entre os jovens contemplados pelo Projeto ViraVida, que participaram dos primeiros passos da iniciativa esta semana com a ambientação, na sede do Serviço Social da Indústria (Sesi-DF) de Ceilândia. São 15 garotos e 31 garotas que decidiram dar uma nova cor às suas vidas e abraçaram a possibilidade de mudar suas trajetórias. A maioria desses jovens passou por situações de exploração sexual, enquanto a outra parte foi abusada sexualmente durante a infância ou adolescência. A preparação e a inserção no mercado de trabalho é um dos objetivos maiores do ViraVida, que trará aos escolhidos uma série de formações: cursos específicos profissionalizantes, reforço na educação básica, orientações de postura social e comportamento, noções de cidadania, empreendedorismo, além de aulas de esporte e lazer, atendimento médico e acompanhamento psicossocial.

“Eu tenho um sonho. Ser o maior mestre salgadeiro do Distrito Federal”, declarou Quennel Nascimento, de 21 anos, morador do Abrigo Geração, na Asa Norte. O jovem brasiliense aproveitou a oportunidade dada pelo Conselho Nacional do Sesi, que conta com o apoio das entidades que compõem o Sistema S - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social do Comércio (Sesc), e Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac) e Serviço de Apoio ao Empreendedor e ao Pequeno Empresário (Sebrae), além do Sesi. Quennel reforçou que empenho não faltará durante as atividades. “Sou tímido e tenho dificuldade de me enturmar, mas garanto que vontade de vencer não vai faltar”, destacou o novo aluno do curso de salgadeiro do Senai-DF.Esta é a 2ª edição do projeto no DF, iniciativa do presidente do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, em vigor em vários estados brasileiros, em especial no Nordeste, onde o turismo sexual é marcante e não perdoa nem mesmo os menores de idade.  “O projeto segue à risca tudo que o estatuto da criança e do adolescente prescreve. É orientado pelos Direitos Humanos e leva em consideração o trabalho com as famílias, o que é um diferencial”, destacou a assessora do Conselho Nacional do Sesi, Catarina Sabino. Para ela, todos os participantes desta edição estão visivelmente motivados, e esperando uma mudança de vida com a conclusão dos trabalhos. De acordo com a coordenadora do projeto no DF, Cida Lima, os jovens escolhidos demonstraram estar dentro do perfil exigido para participarem da iniciativa. “Alguns alunos demonstraram de cara que querem mudar. Moram muito distante e têm que se deslocar muito cedo para as aulas, mesmo com nosso apoio nas passagens de ônibus. Para eles, é a chance da vida, tenho certeza que serão quatro dias muito proveitosos”, enalteceu. A proposta é que esses dias serão de muita acolhida, onde a meta central é fazer com que todos se sintam bem cuidados e queridos por todos os professores. “Será um banho de amor próprio para todos”, pontuou.
Força de vontade e determinação dos alunos
Para participarem do projeto, os jovens passaram por uma série de critérios e avaliações antes de serem escolhidos. Com idade entre 15 e 21 anos, os agraciados precisavam mostrar vontade de mudar de vida. Segundo Cida, dos 119 alunos iniciais, foram escolhidos 46 porque alguns não demonstraram intenção de lutar por uma vida melhor. A estatística levantou que 74% dos escolhidos abandonaram a escola prematuramente, 24% sofreram abuso sexual e 76% estavam em condição de exploração sexual; um terço deles moram em abrigos, ou seja, longe da família. De acordo com Cida, a maior parte dos garotos e garotas declararam sentirem falta de brincar na infância. Em 2010, 24 meninos e meninas participaram do Programa e foram diplomados nos cursos de Assistente Administrativo e de Recepcionista, ministrados pelo Senai e pelo Senac, respectivamente.
Da Redação do Alô Brasília

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Sinto vergonha de mim", bradou Rui Barbosa



"Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.



Texto: Rui Barbosa
Colaborou: Riane Machado