terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Três meses após GDF anunciar plano contra crack, realidade pouco mudou


Há três meses, o Governo do Distrito Federal anunciou a criação do Plano de Enfrentamento ao Crack. Para tornar possível a erradicação da droga das ruas da capital federal, foram liberados cerca de R$ 65 milhões, montante que deve ser investido ao longo de quatro anos. No entanto, a primeira impressão dos brasilienses é que nada mudou nos últimos 90 dias. A presença de crianças, homens e mulheres maltrapilhos perambulando sob o efeito do entorpecente continua frequente. Um giro pelas tradicionais cracolândias do DF revela que ainda não há solução para a epidemia. 

No coração do país, a cerca de um quilômetro do Congresso Nacional, o Correio flagrou dezenas de viciados a consumir pedras de crack, durante o dia. Com a presença constante da polícia nos arredores da Rodoviária do Plano Piloto, os usuários recorrem às copas das árvores, nos canteiros da Esplanada dos Ministérios. Ali, traficantes se misturam aos usuários. O mesmo ocorre no estacionamento do Conjunto Nacional, onde a procura por droga é constante. Entre os carros parados, um jovem de boné e camiseta azul distribui livremente pedras de crack. Sem ser incomodado, ele é conhecido entre os flanelinhas da região. Vários compradores o abordam. E a transação dura poucos segundos. O rapaz que aparenta ter menos de 18 anos recebe o dinheiro, entrega a droga e sai na direção oposta.

Na maior e mais populosa cidade do DF, Ceilândia, o problema é semelhante. Mudam apenas os personagens. Desde setembro do ano passado, sucessivas reportagens denunciaram a forma degradante como vivem dezenas de usuários de crack que passam dias e noites alojados em bueiros, entre a QNN1 e a QNN 3. O jornal voltou ao lugar duas vezes nos últimos 15 dias e constatou que nada mudou. O local continua repleto de traficantes e de pessoas vagando como zumbis pelas ruas.

Intimidação  

A única tentativa de evitar que as redes de esgoto fossem usadas como moradia ocorreu no fim de 2010, quando a administração da cidade fechou os acessos. Porém, o trabalho malfeito fez com que em poucos dias o mesmo grupo abrisse um outro buraco. Na última quarta-feira, Dia do Evangélico, a quantidade de viciados sujos, descalços e paranoicos chamou a atenção. Incomodados pela câmera fotográfica, eles agiram com violência contra a reportagem. Das 15h45 às 16h, o carro do Correio acabou atingido por duas pedradas. A primeira delas foi jogada por um adolescente.

Cerca de 15 minutos depois, um jovem encheu as mãos de brita e jogou-as contra o veículo. Em seguida, um grupo cercou a equipe em uma tentativa de intimidação. Frequentadores de um bar fizeram sinais com as mãos para que o Correio deixasse o local por segurança.

O consumo de droga na cidade foi flagrado diversas vezes e em vários pontos, próximos uns aos outros. Pelo menos três bocas de fumo foram identificadas em apenas um quarteirão. Em 15 minutos de observação, um carro e duas motos da Polícia Militar passaram pela região, mas os PMs não realizaram nenhuma abordagem. 

Durante o feriado, na Rodoviária do Plano Piloto, a venda do crack ocorreu ao lado do ponto de táxi e em frente a muitos passageiros que esperavam um ônibus para ir embora. Encostado em uma parede, um deles queimou a pedra dentro de uma lata de refrigerante e inalou compulsivamente a droga. Nenhum segurança ou assistente social se aproximou.

Cena comum na área central de Brasília: crianças e adolescentes consomem pedras de crack na Rodoviária do Plano Piloto, durante o dia (Fotos: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Cena comum na área central de Brasília: crianças e adolescentes consomem pedras de crack na Rodoviária do Plano Piloto, durante o dia

Medidas
Lançado em 31 de agosto de 2011, o Plano de Enfrentamento ao Crack e outras drogas conta com a participação de 15 órgãos do Governo do Distrito Federal, sob a coordenação da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus). Há 85 medidas a serem tomadas. Uma novidade do plano foi o anúncio da construção de 44 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) até 2015, além de ambulatórios.



Fonte: CorreioWeb

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