terça-feira, 18 de outubro de 2011

MACHONHA: BENEFÍCIOS X MALEFÍCIOS


Maconha é o nome dado no Brasil a uma planta chamada cientificamente de Cannabis sativa. Conhecida há mais de 5 mil anos e utilizada por algumas civilizações para fins medicinais. Hoje é considerada droga, porém a mais leve das drogas ilegais. A maconha contém aproximadamente 60 substâncias - denominadas canabinóides - capazes de provocar distúrbios no cérebro. Seu ingrediente mais ativo é o THC, que age como um neurotransmissor.

A categoria “droga” ainda se divide em três grandes grupos:

  • Depressores de Atividade do Sistema Nervoso Central (SNC);
  • Estimulantes de Atividade do Sistema Nervoso Central;
  • Perturbadores das Atividades do Sistema Nervoso Central.

A maconha se enquadra no último grupo, caracterizado por drogas que não aumentam nem diminuem a atividade cerebral, mas modificam seu funcionamento. Pertencem a este grupo a mescalina, o tetraidrocanabinol (THC) (substância encontrada na maconha), a psilocibina (encontrada em alguns cogumelos alucinógenos), o LSD (do alemãoLisergic Säure Diethilamide), e o ecstasy.


Pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam sérios prejuízos na capacidade cognitiva - consumidores freqüentes da droga apresentam dificuldade para compreender informações complicadas. No momento em que é fumada, a maconha pode causar efeitos variados, que vão desde calma e relaxamento até angústia ou tremores. Também podem ocorrer perturbações na capacidade de calcular o tempo e medir o espaço, além da perda de atenção e alucinações auditivas e visuais.

Relatório britânico de 2002 listou os riscos à saúde pública associados com o uso da maconha: suicídio, comportamento sexual de risco, gravidez na adolescência e não desejadas aumentadas, doenças sexualmente transmissíveis, acidentes de trânsito, acidentes em geral, crimes violentos e em geral, custos da saúde aumentados, e problemas e doenças mentais.
 O abuso do álcool e da maconha são atualmente os problemas mais freqüentemente encontrados em pessoas com diagnóstico de esquizofrenia. Pesquisa publicada na Revista de Psiquiatria Clínica tratou quatro pontos relativos ao uso de maconha e esquizofrenia:
1) a base neurobiológica da psicose induzida, dos efeitos patogênicos do THC e das substâncias psicoativas contidas em produtos derivados da maconha.
2) pode o uso da maconha - e em comparação o abuso de álcool - prematuramente desencadear ou mesmo causar a esquizofrenia?
3) as pessoas geneticamente suscetíveis à esquizofrenia ou com propensão à psicose e jovens que ainda não completaram o processo de desenvolvimento do sistema nervoso central apresentam risco aumentado?
4) que conseqüências o uso da maconha tem na sintomatologia e no curso da esquizofrenia?
 O estudo investigou uma amostra de 232 casos de pessoas admitidas em serviços de saúde mental em decorrência de um primeiro episódio de esquizofrenia. Os participantes apresentavam idade dentro da faixa etária de 12 a 59 anos, e 108 eram do sexo masculino e 124 do feminino. O grupo-controle foi constituído por 57 pessoas saudáveis, extraídas aleatoriamente do registro de população da cidade de Mannheim, Alemanha.
 Os resultados mostraram que o risco para o uso de maconha por pessoas com diagnóstico de esquizofrenia é duas vezes maior do que por pessoas saudáveis. O uso de maconha pode prematuramente provocar o início da esquizofrenia - na média oito anos mais cedo do que nos não-usuários - e causar a doença, em parte pela interação com outros fatores que a predispõem. Jovens, com cérebros imaturos, e as pessoas com uma predisposição genética à esquizofrenia ou com uma disposição à psicose - definida por desde uma ocorrência ocasional de sintomas psicóticos moderados até aos graus mais severos - são mais vulneráveis aos efeitos THC.

Pesquisadores da Universidade de New South Wales e Prince of Wales Hospital, na Austrália, identificaram estudos envolvendo 22 mil portadores de distúrbios psicóticos – sendo que 8.167 participantes também eram usuários da droga.
Todos os estudos compararam a idade de início de psicose entre os dois grupos.
Foi revelado que as pessoas que consumiram maconha desenvolveram psicose cerca de 2,7 anos antes do que aqueles que não usaram.
Aqueles que usaram algum outro tipo de substância desenvolveram psicose cerca de dois anos mais jovens, enquanto o uso apenas de álcool não foi associado com a idade de início da psicose.
Segundo os pesquisadores, a relação é feita possivelmente através de uma interação entre os distúrbios genéticos e do ambiente, ou interrupção do desenvolvimento cerebral.
O transtorno pode ser desencadeado pela alteração na concentração de neurotransmissores, causada pela droga, o que desregularia o funcionamento cerebral.
Se a erva possuir benefícios medicinais, como outros estudos defendem, definitivamente não estão no cigarro ou no consumo aleatório da substância.

Os resultados, divulgados no periódico médico “Archives of General Psychiatry”, dão mais munição a pesquisadores que se opõem à liberação da substância ilícita.
Os pesquisadores das universidades de New South Wales, Austrália, e Emory, EUA, avaliaram dados de 22 mil portadores de distúrbios psicóticos - sendo 8.167 deles usuários da droga. A doença aparecia em média 3 anos antes entre quem consumia a erva do que nos membros do grupo-controle.
“Acredito que essa relação seja de causa e consequência, e a maconha tem um papel importante em certas pessoas”, disse o psiquiatra australiano Matthew Large, um dos autores do estudo. Uma hipótese é que pessoas com predisposição genética para esquizofrenia são mais suscetíveis à influência da maconha. Nelas, os quadros psicóticos poderiam ser desencadeados pela alteração na concentração de neurotransmissores como dopamina e serotonina, causada pela droga, o que desregularia o funcionamento cerebral.
“Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia devem ser instruídas a jamais usar essa droga. Não dá pra arriscar”, diz Hélio Elkis, coordenador do Projeto Esquizofrenia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Segundo o psiquiatra, quanto mais cedo aparece a doença, pior o prognóstico. “Se surge na adolescência, o cérebro não teve tempo de se desenvolver completamente.” Isso piora o déficit cognitivo, próprio do transtorno.
Fonte: Semina cienc. biol. saude;28(2):99-108, jul.-dez. 2007. 

Um comentário:

  1. ?
    qual a utilidade desta informação?
    aliás, o que um crente amalucado tem para dizer sobre dorgas, a não ser que é coisa do demônio?

    pára com isso e volta a puxar o saco dos seus polítiqueiros, xará.

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